quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

Romance da Bela Infanta

O Romance da Bela Infanta contado pelos alunos do 5ºA

Estava a bela infanta
No seu jardim assentada,
Com o pente de oiro fino
Seus cabelos penteava
Deitou os olhos ao mar
Viu vir uma nobre armada;
Capitão que nela vinha,
Muito bem que a governava.
- "Dize-me, ó capitão
Dessa tua nobre armada,
Se encontraste meu marido
Na terra que Deus pisava."
-"Anda tanto cavaleiro
Naquela terra sagrada...
Dize-me tu, ó senhora
As senhas que ele levava."
-"Levava cavalo branco,
Selim de prata doirada;
Na ponta da sua lança
A cruz de Cristo levava."
-"Pelos sinais que me deste
Lá o vi numa estacada
Morrer morte de valente:
Eu sua morte vingava."
-"Ai triste de mim viúva,
Ai triste de mim coitada!
De três filhinhas que tenho,
Sem nenhuma ser casada!..."
-"Que darias tu, senhora,
A quem no trouxera aqui?"
-"Dera-lhe oiro e prata fina
Quanta riqueza há por í."
-"Não quero oiro nem prata,
Não nos quero para mi':
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?"
-"De três moinhos que tenho,
Todos os três tos dera a ti;
Um mói o cravo e a canela,
Outro mói do gerzeli:
Rica farinha que fazem!
Tomara-os el-rei para si."
-"Os teus moinhos não quero,
Não os quero para mi:
Que darias mais, senhora,
A quem to trouxera aqui?"
-"As telhas do meu telhado,
Que são de oiro e marfim."
-"As telhas do teu telhado
Não nas quero para mi":
Que darias mais, senhora,
A quem no trouxera aqui?"
-"De três filhas que eu tenho
Todas três te dera a ti:Uma para te calçar,
Outra para te vestir
A mais formosa de todas
Para contigo dormir."

-"As tuas filhas, infanta,Não são damas para mi':Dá-me outra coisa, senhora,Se queres que o traga aqui."
-"Não tenho mais que te dar.Nem tu mais que me pedir."

-"Tudo não, senhora minha.Que inda não te deste a ti."-"Cavaleiro que tal pede,Que tão vilão é de si,Por meus vilãos arrastadoO farei andar por aíAo rabo do meu cavaloÀ volta do meu jardim.Vassalos, os meus vassalos,Acudi-me agora aqui!"
-"Este anel de sete pedrasQue eu contigo reparti...Que é dela a outra metade?Pois a minha, vê-la aí!"
-"Tantos anos que chorei,Tantos sustos que tremi!...Deus te perdoe, marido,Que me ias matando aqui."

Almeida Garrett
Almeida Garrett nasceu no Porto, no dia 4 de Fevereiro de 1799 e faleceu no dia 9 de Dezembro de 1854.Cursou Direito em Coimbra e desempenhou vários cargos ao longo da sua vida. Desempenhou um papel activo na vida cultural do País. A ele se deve a criação de um teatro nacional e de uma escola de formação de artistas.
O romance tradicional A Bela Infanta está inserido no Romanceiro de Almeida Garrett resultado de uma recolha por si efectuada de lendas e tradições medievais.
Os romances tradicionais eram pequenos poemas, transmitidos oralmente, de geração em geração, destinando-se a ser contados.
“Esta é sem questão a mais geralmente sabida e cantada de nossas xácaras populares”, afirma Almeida Garrett. De inquestionável origem medieval, tem por assunto a guerra das Cruzadas (1096-1270), ocorrência histórica que influenciou decisivamente a vida social e cultural de toda a Península Ibérica.
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